São Paulo,
27 de outubro de 2026.
Bom
dia!
Uma
decisão do Superior Tribunal de Justiça e o posicionamento do Supremo Tribunal
Federal na ADC 31 trouxeram segurança para os diretórios regionais dos partidos
políticos. Ficou definido que o diretório estadual de uma sigla não é obrigado
a pagar dívidas contraídas pelo diretório municipal. Cada órgão partidário
responde apenas por suas próprias obrigações .
O
caso envolvendo o PSDB de São Paulo ilustra bem a questão. Uma gráfica entrou
na Justiça cobrando R$ 150 mil por serviços de impressão de material de
campanha contratados pelo diretório municipal da capital paulista. A empresa
não conseguiu receber do órgão municipal e resolveu cobrar do diretório
estadual, alegando que os partidos seriam solidários.
A
Lei dos Partidos Políticos, no artigo 15-A, é clara: a responsabilidade é
exclusiva do órgão partidário que contratou o serviço ou assumiu a obrigação.
Não há solidariedade entre diretórios municipais, estaduais e nacionais .
Cada um é uma entidade jurídica distinta e responde por suas próprias contas.
O
STF já firmou esse entendimento ao julgar a ADC 31, ação proposta por DEM,
PSDB, PT e PPS para questionar decisões judiciais que ignoravam a regra legal.
Por 6 votos a 4, a Corte barrou a possibilidade de os órgãos partidários
assumirem responsabilidade solidária . O relator, ministro Dias Toffoli,
foi acompanhado por Fachin, Barroso, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Fux.
Os
partidos argumentaram na ADC que muitas vezes os diretórios nacionais sequer
tomam conhecimento da dívida e são surpreendidos na fase final da execução para
solver um débito que nunca contribuíram para formar . O STF reconheceu que
a regra de responsabilização exclusiva não ofende o caráter nacional dos
partidos, decorrendo logicamente do princípio da autonomia
político-partidária .
A
divergência, aberta por Nunes Marques, Alexandre de Moraes, Rosa Weber e
Lewandowski, defendia que os diretórios nacionais poderiam ser
responsabilizados caso os municipais ou estaduais não conseguissem pagar suas
dívidas . No entanto, a maioria prevaleceu.
Em
primeiro grau, a Justiça havia condenado o diretório estadual do PSDB a pagar a
dívida. O Tribunal de Justiça de São Paulo reformou a decisão, reconhecendo que
a contratação foi feita exclusivamente pelo diretório municipal. O STJ manteve
esse entendimento, aplicando o artigo 15-A da Lei dos Partidos Políticos.
O
relator do caso no STJ, ministro Marco Buzzi, destacou que a tentativa de
corrigir o erro após a sentença não é possível. A gráfica argumentou que
deveria ter tido a oportunidade de emendar a petição inicial. O ministro
explicou que isso só seria possível antes da sentença. Depois de proferida a
decisão de mérito, o processo se encerra.
Portanto,
quem é o contratado para prestar serviços de campanha eleitoral precisa saber
com qual órgão partidário está negociando. A dívida fica com o diretório que
fez a contratação. Pois não adianta cobrar o diretório estadual se a
contratação foi com o municipal. Cada nível do partido tem personalidade
jurídica própria e responsabilidade financeira separada .
A
organização orçamentária deve ser independente para cada esfera, evitando
surpresas financeiras para diretórios que não tiveram envolvimento com a
dívida.
Quem
Viver, Verá … !!!
Cordialmente,
MARCELO
AUGUSTO MELO ROSA DE SOUSA
Advogado
- Direito Eleitoral e Partidário
Sócio
do Escritório
MELO
ROSA E SOUSA ADVOGADOS ASSOCIADOS
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Rosa 1966